Não esqueci a tempestade, não esqueci de nada, mas tomei uns analgésicos e a dor, aos pouquinhos, vai passando. E mesmo que você venha ameaçar meu dia com chuva, hoje vai fazer sol! E a previsão do tempo de amanhã também é sol, um sol digno de praia. Mas amanhã é amanhã, embora eu saiba que também vou sorrir, vou começar a sorrir logo de hoje, porque a vontade pulsa em mim, anima tudo aqui dentro do meu corpo e eleva minha alma. Eu vou sorrir porque quero! Porque nada do que você faça hoje roubará o meu sorriso de mim.
Tati Bernardi
“Conta pra ela, vai. Chega nela e fala. Fecha os olhos, se for preciso. Fecha os olhos e finge que é pro espelho, como você já fez uma vez. Diz pra ela que você sente muito. Que se arrepende de todas às vezes em que poderia ter mudado a situação com poucas palavrinhas (e evitado algumas noites de choro e preocupação da parte dela), mas ao invés disso só ficou parado sem falar nada, como o idiota que é. Pede desculpas por quando ficou confuso entre um ex amor do passado que ainda te balançava, um possível caso pro futuro que te excitava e entre ela. Pede desculpa por ter deixado ela como última opção quando você era a única escolha. Confessa que se sente culpado por todas às vezes que estragou os possíveis relacionamentos dela provocando-a e fazendo ela cair na sua de novo, mesmo que isso seja a mentira mais descarada do mundo e que você não se arrependa. Assume que é egoísta e não sabe perder, que é atrapalhado e não sabe possuir, que é mimado e mandão e que tudo tem que ser do seu jeito, que é orgulhoso e pra você você sempre tá certo, que é pior do que criança, que é infantil, que é canalha, galinha… Como se ela não te conhecesse melhor do que você. Se humilha, se for preciso. Fala que vai compensar pelas noites de sono perdidas, pelas lágrimas desperdiçadas no travesseiro, pelas dores de cabeça, pelos cortes, por tudo. No fundo ela só espera um sinalzinho verde pra não desistir, uma confirmaçãozinha de que você ainda tá nessa junto com ela. Mas não deixa ela cansar de vez de você.
“A gente até engana os outros de que é feliz, mas por dentro a solidão só aumenta.
“Sabe de uma coisa? Não, você não sabe. Vou te contar. Eu ando tão sensível. Precisando assim de uma palavra suave, de um gesto inesperado - e belo. Você consegue me surpreender de um jeito bom? Diz que sim, preciso tanto de você. Que coisa louca essa: a gente precisa de alguém. Mas, sabe, a gente sempre precisa de alguma coisa que nos coloque no eixo. Ando meio fora dos trilhos, se é que você me entende. Andei pensando na vida - é, sei que isso dá calafrios (…)
“Fiz de tu minha prioridade, sempre te coloquei em primeiro lugar. Pena que tu não fizestes o mesmo. Dói, machuca! Mas de certa forma eu cansei, sabe? Coloquei na cabeça a ideia de seguir em frente, seguir meu caminho. Sozinha, sem ninguém pra me roubar o resto de amor que estas dentro de mim. Eu, apenas eu. Comigo mesma. Sem perder tempo, sem olha pra trás, sem dar espaço pra tristeza, dor ou até mesmo a saudade. Isso quer dizer, que de tanto sofrer por te esperar decidi partir sem você. Rumo a felicidade. Te lembra que o coloquei em primeiro lugar? Sim, não deixou de ser ainda, mas troquei o titulo da lista. Tu estás em primeiro lugar das pessoas que quero esquecer. Quem sabe assim, esquecendo-te começo a lembrar-me mais e lembrando-me, começo a te esquecer. Te peço, suplico se for preciso, não apareça agora, fingindo se importar. Por favor, não entre no meu caminho, não entre em minha frente. Como eu disse, estou disposta a seguir, eu, somente eu, sem você. Coisa que você fez, há tempos. Teu coração deve estar sendo ocupado por outro alguém, ocupando o lugar que costumava ser meu. Criei forças dos mais extremos lugares que me restava pra seguir esse novo caminho. Esta nova fase da minha vida e não vou tropeçar, não vou cair, vou ser firme e forte por toda essa jornada. De hoje em diante será eu. Eu, comigo mesmo, sem você.
“Você está bem sem mim? Se lembra de como eu te acordava? De como eu te fazia sorrir? Se lembra de tudo o que passamos? De como eu te desejava boa noite antes de dormir?Esqueces-te o que sentiamos lá dentro? Esqueces-te de mim? Eu sou aquela pessoa que você costumava chamar de amigo e logo depois de amor. São tantas perguntas porém, eu ainda estou aqui. E parece loucura dizer tudo isso, mas estive sofrendo na agonia de que você voltasse pra mim, “sofri e chorei durante dias, que pareciam nunca se passar” . Parei de sofrer, mudei, amadureci e por fim trasnformei meu coração em algo frio, que só voltaria a amar quando estivesse forte de novo.
“Não adiantaria se eu gritasse, não adiantaria nenhum sinal que eu fizesse, fosse ele com um sinalizador potente ou até mesmo de fumaça. Seus olhos nunca conseguem ver o que eu faço por você, nunca enxergam os meus joelhos esfolados de tanto cair sem ter você por perto. Um paraíso na escuridão. Talvez eu também devesse fechar meus olhos, ficar cego para você, parar de ser para você isso que tento ser a todo instante. Tentar suprir suas necessidades. Tenho que deixar de ser para você aquilo que eu nunca quis ser para mim. Porque com você tudo soa diferente. Eu fico sem voz, sem o que eu sou. Perco-me nesses seus olhos marrons, e seu sorriso originalmente torto e ao mesmo tento iluminador de minhas noites escuras e dias cinza. Com você, é diferente. Não é clichê, é estranho.
Não adiantou gritar. Não adiantou fazer barulho e muito menos chorar, chorar até secar e ficar oco. Não adiantou pedir sua estadia para sempre e nem falar que dói em mim. Não adiantou dizer que sem você eu não consigo seguir. Não adiantou nenhum suplica. A única coisa que adiantou, é que depois que você me deixou me tornei escritor, escritor que só sabe falar de você, da pessoa que me deixou e me abriu um buraco que não se fecha em meu coração. A única coisa que adiantou, é que depois desses quase seis meses que você foi embora, eu descobri que sofro da síndrome do coração partido. Sim, é real essa síndrome, pode pesquisar no Google, ou pesquisar com um profissional adequado, descobri que tenho esse mal ontem. Ela faz o coração doer de tanta tristeza, e pode até morrer. E saber que mata, me aliviou, pois pelo menos a dor acaba. Pelo menos evito o ato pecador de ser um suicida e viro uma vitima, vitima de você e desse amor que me corroeu a cada linha escrita, cada parágrafo, e em cada vírgula errada ou certa.
Não adiantou nada, e você se foi. Meus dedos doem de tanto que escrevo sobre um amor que não deveria ser amor; de uma pessoa que eu não deveria ter conhecido e de um nós que deveria ter ficado apenas num pensamento sem algo concreto. Porque a gente pensa e quer tanto que acaba não tendo do jeito que queríamos e pensávamos. E eu te quis tanto e passei tantas e tantas noites em claro pensando em você e querendo tanto você, que agora só tenho as lembranças, só tenho a dor deixada pela sua partida. Só tenho aquilo que eu não queria ter: não ter você. E não adianta agora uma tentativa falha de gritar você, porque agora é mais que claro, você não volta, você não vem. Agora tudo se esclarece, talvez não tenhamos nascido um para o outro, ou algo do tipo. Porque tínhamos tudo para acertar; tínhamos o amor, você e eu, tínhamos também a precisão um do outro e de repente como um passe de mágica o seu amor por mim se esvaiu e você se foi e apenas eu restei de nós e eu não posso amar sozinho, porque amar e não ser amado é desgastante e devastador, porque te amar deveria ser algo que me fizesse bem e agora não faz tão bem, não quando você finge não me enxergar e finge me esquecer. Amar e ter duvida se um dia ou se ainda me ama, me destrói.
Não adiantou gritar e muito menos fazer sinal de fumaça para você ficar e agora, agora tudo se resume no meu amor e a síndrome do coração partido. Não adiantou chorar e muito menos chorar até secar. Eu deveria ter ido antes, mas esperei que você ficasse. Então, o que restou? Restou eu e a solidão e síndrome, síndrome do coração partido.
“Um dia você vai encontrar alguém que te lembre todos os dias que a vida é feita para ser vivida. Alguém que é perfeito de tão imperfeito. Alguém que não desista de você por mais que você tente afastá-lo. Naquele dia que você não estiver procurando por ninguém, naquele dia que você não ia sair de casa e acabou colocando a primeira roupa que viu pela frente. Quando você não estiver procurando, você vai achar aquela pessoa que faz você sentir que poderia parar de procurar.
“Cansei de esperar e de procurar, agora tanto faz.
Talvez não demonstrando, eu me surpreenda mais.
“Eu conheço o silêncio. Sei identificar quando é medo, angústia, expectativa, paz, tormenta, conflito ou harmonia. Conheço praticamente todos os seus significados e ares. Por aqui o silêncio sempre foi muitas coisas e sentimentos, momentos e faltas; ele sempre quis me dizer algo a mais. E sempre disse, é verdade. Acabamos nos tornando amigos, grandes amigos: entendemos-nos.
Alguns estranham, não sabem como lido com ele, como o suporto e até converso. Pode ser loucura minha, mas há palavras que somente ele me diz e dores ou felicidades que somente ele traduz. Não é exatamente poético, mas é real, uma companhia para todas as horas. Particularmente, sou mais de calar do que falar.
Entenda que eu me fiz assim: vendo muito, falando pouco e levando tudo para as palavras. Foi a minha saída para uma vida inteira. Sou tão breve quanto as minhas falas e palavras… Pode me errar, não me escutar e se enraivecer com o meu silêncio: aqui as palavras são sagradas. Não peço mais perdão por falar tão pouco. Peço, por favor: aceite que me calo para amenizar a vida ou celebrar, chorar, absorver. Eu me calo para sobreviver.
Como esta noite, o silêncio é uma neblina que nada se vê, mas tudo se teme.